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Se você não venderia seu carro, pode desistir agora mesmo

Durante cinco anos da minha vida, trabalhei numa faculdade e tive o privilégio de viver num ambiente carregado de cultura e inovação, de conviver com gente que sabia muito mais do que eu sobre muita coisa. Era gente interessante pra todo lado. Lá conheci um diretor que era um verdadeiro ‘guru da vida’, o Professor Silvio Passareli. Sabe essas pessoas que quando começam a falar sobre algo dão um banho de informação e cultura?

Ele entendia de negócios, perfumes, gente, economia, religião, arte, moda, luxo e mais uma lista interminável de temas. Sua sala cheirava a uma mistura muito característica de tabacos, que a mim remetia a um delicioso aroma de sabedoria. Sua fala calma começava sempre com o ritual de acender o cachimbo.

Certa tarde, numa das longas conversas que tínhamos em sua sala, após o acompanhamento de alguma entrevista que ele havia acabado de conceder, falávamos de negócio próprio, de empreendedorismo e de coragem para a tão sonhada ‘carreira solo’. Claro, eu também pensava nisso e planejava meu futuro (por que não?). Aí veio a primeira grande lição que tive sobre acreditar num negócio próprio: “Se você não venderia seu carro, pode desistir agora mesmo”, disse ele baforando seu cachimbo.

Aquilo me fez realmente parar para pensar, porque se nem mesmo o seu carro vale o tamanho de sua fé no seu negócio, meu amigo... vá fazer outra coisa, atualize o currículo e busque imediatamente uma recolocação, porque negócio próprio definitivamente não é a sua praia.

Sem cachimbo suficiente
Ao longo da carreira, o Professor Silvio havia sido um consultor do Sebrae e atendido muita gente abrindo seus próprios negócios: de floriculturas e padarias, a cabeleireiros e consultorias. Assim como os tipos de negócios, os estágios variavam muito em busca do aconselhamento do especialista: do marido bem-sucedido que buscava abrir uma franquia qualquer para ‘distrair’ a esposa (e tirá-la do seu pé), passando pela demissão que pegou de surpresa o funcionário com 30 anos de casa, até aquele empreendedor que sempre sonhara com seu negócio próprio e decidira que o momento certo havia chegado. Eram muitas histórias, quase não havia cachimbo suficiente que desse conta de todas elas.

Qualquer que fosse a situação, a premissa era só uma: acreditar no seu negócio. Sim, esse era o primeiro passo, o que já posicionava aquele marido que daria a franquia à esposa para distraí-la no hall dos desencorajados de empreender. Distrair alguém não é exatamente o significado de acreditar num negócio. Então tudo vai depender, é claro, da crença que você tem em sua capacidade de dar certo, da crença que você tem em você mesmo.

Day 01
E aí o Professor Silvio, então consultor do Sebrae, soltava essa: você venderia seu carro para investir no seu negócio? Se a resposta fosse não, ou mesmo um semblante pálido de choque ou interrogação, seu papel era colocar o candidato a empreendedor para refletir mais um pouco sobre suas intenções. Medo, falta de planejamento ou até de habilidade para algumas situações podem – sim – frear sonhos e ambições. Mas a crença sem dúvida é o grande pontapé inicial, o Day 01, como está na moda dizer por aí.

Passada essa etapa, vem a segunda lição do empreendedor: resiliência. É, admito, essa palavra já caiu na boca do povo e está até um tanto desgastada em tempos de crise no Brasil, mas não há nenhuma outra que se encaixe melhor para a questão.

É claro que situações adversas irão surgir e que a resposta a todas elas está na persistência e na determinação para o sucesso de seu negócio, nunca no medo. Mas ele também pode ser proveitoso, desde que usado a seu favor, como métrica para conhecimento dos seus limites e cálculo do tamanho dos riscos a serem enfrentados. É preciso também ter em mente que - a partir do Day 01 em que você toma efetivamente a decisão de que seu negócio vale, sim!, o seu carro – você passará a ‘surfar’ numa série de funções, podendo ser classificado como empreendedor, gestor, operador, contas a pagar, contas a receber, boy, entre outros (muitos) atributos.

15h por dia
Aí então vem o momento de correr atrás do conhecimento, estudar, buscar cursos da área e até um atendimento especializado na medida de suas necessidades, além é claro de olhar para sua concorrência, identificar seus diferenciais e comunicá-los muito bem ao mercado. Afinal, voo solo dá trabalho e ser o seu próprio patrão está muito longe das fantasias de quem ainda acredita que dá para acordar às 09h30 e parar de trabalhar às 15h. Prepare-se, porque essa carga de “próprio patrão” não é nada leve e é muito possível que você precise (pelo menos por um período) trabalhar umas 15h por dia. E lembre-se: seu carro estará sempre em jogo se você realmente acredita no seu negócio, porque arriscar faz parte desse jogo.

Pois bem, se depois de tudo isso, você segue no rumo de um negócio intimamente relacionado às suas competências (ou, minimamente, nas de seu sócio) e faz o que ama, você está habilitado ao seu negócio e o futuro pode ser proporcionalmente recompensador a toda essa carga de incertezas e decisões. Então, a recomendação é seguir em frente, disposto a superar os obstáculos, enfrentar o medo, acreditar em sua própria capacidade e fazer um plano de negócio bem pé no chão. Pode sonhar – claro! –mas sem deixar de lado todo o sacrifício inerente ao novo status quo.

Se você - como eu - já faz parte dessa jornada, sabe bem do que estou falando. Se ainda pretende iniciá-la, o primeiro passo é pensar no seu carro. E então, meu amigo aspirante a empreendedor, você venderia o seu?
 

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